Daqueles dias
Daqueles dias
Hoje lembrei-me daqueles dias:
Dias de suor que ameaça escapar;
Dias de sentir o sangue correr em cada capilar;
Dias de doer o peito sem aparente razão;
Dias de levar os olhos aos céus em contenção;
Dias que o corpo tenta conversar;
Dias que o corpo insiste em se expressar;
Dias que o coração dissolve a sinapse
Torna-se timoneiro e parte a navegar.
Leva-me aos picos e fossos do mundo:
em instante beatitude graça de viver,
em instante solapada âmago do sofrer.
Nesse dia levou-me com seu veleiro
por águas turvas, quentes e indomáveis;
o horizonte permanece infindo, paralítico.
Exatores nascem do fundo do mar da memória;
passam a agravar aquilo que bastava em si;
torturam minh'alma a criar destoantes histórias.
Que farei a resistir-lhes?
dominam-me por completo.
Sou seu fantoche sem razão;
ataco o ar esperando matéria palpável
e tudo que há é o fantasma das antigas angústias
que renasce intocável; senão pela mão vitrada
capaz de reluzir aos olhos d'alma
traços dúbios do sentir.
Mas sem seu alento que serei?
Parco senhor de domínio algum
e fraco mestre da própria vida.
Dias de suor que ameaça escapar;
Dias de sentir o sangue correr em cada capilar;
Dias de doer o peito sem aparente razão;
Dias de levar os olhos aos céus em contenção;
Dias que o corpo tenta conversar;
Dias que o corpo insiste em se expressar;
Dias que o coração dissolve a sinapse
Torna-se timoneiro e parte a navegar.
Leva-me aos picos e fossos do mundo:
em instante beatitude graça de viver,
em instante solapada âmago do sofrer.
Nesse dia levou-me com seu veleiro
por águas turvas, quentes e indomáveis;
o horizonte permanece infindo, paralítico.
Exatores nascem do fundo do mar da memória;
passam a agravar aquilo que bastava em si;
torturam minh'alma a criar destoantes histórias.
Que farei a resistir-lhes?
dominam-me por completo.
Sou seu fantoche sem razão;
ataco o ar esperando matéria palpável
e tudo que há é o fantasma das antigas angústias
que renasce intocável; senão pela mão vitrada
capaz de reluzir aos olhos d'alma
traços dúbios do sentir.
Mas sem seu alento que serei?
Parco senhor de domínio algum
e fraco mestre da própria vida.
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