Gravuras
Meditação para o clube de desbravadores "Patrulheiros da fé", cujo título é "Gravuras".
Dinâmica: Entrega-se post its para cada desbravador. Os mesmos deverão escrever o que a Cruz significa para eles e pregar os papéis nela.
Objetivo: Busca-se fazê-los refletir sobre o sacrifício de Jesus e sua graça. Contrastando com nossa imerecida condição de remidos.
Explicação: O texto abaixo é estranho. Existem três vozes que se alternam emaranhando suas histórias numa brincadeira expressiva. A pri- meira possui poucas falas, e é bem fácil acom- panhar seu enredo. Por meio dela o restante desembola. A mini crônica da segunda voz (a história narrada) caminha do deserto ao mar azul, contando seus lamentos e desagrados. No meio do caminho divaga sobre justiça, natureza humana e o valor da vida. Ela representa nossa caminhada pelos intemperes contínuos, mas que culminam na fonte infinita. No meio do ca- minho existe um "interlúdio", trabalhando com a diferenciação do homem para Deus. E, che- gando ao fim da narração, quando o viajante encontra o mar, a segunda voz passa a falar de Cristo, do resgate. A terceira voz é do próprio viajante na história narrada. Ele demonstra esperança, mesmo em meio a tanto caos. Diz "podemos encontrar Oásis", naquela tentativa desesperada de se agarrar às promessas. Cabedesesperada de se agarrar às promessas. Cabe ainda uma última explicação: "Abraço vivo" é oásis da vida em meio aos desertos sem fim.
Gravuras
— Passamos por momentos na vida difíceis de suportar
Os céus cor de âmbar penetram e se confun- dem com as tórridas terras quentes, a linha do horizonte desenha e contorce na ilusão criada pelo calor. Continuar a caminhada; mais areia, fogo e chão. Cá e lá os riscos tortos das árvores secas intercalam-se entre as rochas duras das dunas. No outro lado da tortura, a noite fria contrasta o dia. Solidão se aglutina e sobraram pontículos brilhantes com o sol refratado no luar.
"Mas não nos deixou o amanhã - onde encontraremos oásis e, quem sabe, o fim do deserto."
— Já me senti em meio a um deserto torturante e cruel
"As pegadas foram apagadas, quanto tempo se passou? Vieram muitos ventos dos quatro cantos! Como poderiam suportar? E em sua partida, perdemos o rumo de casa."
Presos no infindo limite da visão, as costas gastas tomam atitude: engrossar sua pele. Os olhos, cansados da secura, escamaram-se. O peito, farto de ressoar a própria voz, revestiu o coração de cacos catados do chão. Assim, a sina é partir em marcha.
"Mas não nos deixou o amanhã - onde encontraremos oásis e, quem sabe, o fim do deserto."
— Diante de tanta desesperança avistei à distância algo como um oásis
Nesse abraço todos os cacos e escamas caem, um por um, desfeitos ao toque dos braços que desfazem a superficialidade. Resta apenas a pura existência, o resultado do dom divino. Quem somos por debaixo dos remendos? Das carapaças? Por baixo das tintas, dos relevos? Quando lhe disseram o peso das moedas do teu valor? Quanto equivale a gramatura de tua canção? E quantos quilates podes trocar pelo teu sorriso? No mundo real, quer dizer, a longa distância dessa terra de naufrágios (terra es- tranha aos sinceros), nada disso importa, pois, fomos criados para amar. Amar irrestrita e in- dependentemente dos méritos, das conquistas, dos troféus.
"Chegamos, finalmente, às fontes de descanso e, quem sabe, daqui em diante o fim do deserto".
— Seu abraço encontrado no refrigério refaz a esperança; afasta a escuridão e os enganos do meu coração
Qual seria o veredito? Estás agora no banco dos réus. Balança pendente entre a vida do coman- dante e a vida da tua gente; impura, desobedi- ente, maculada. Imagine a balança pendendo entre o amado Filho de Deus e você (de todas as criaturas, povos, línguas e nações, se houvesse somente a ti Ele teria feito o mesmo!). No caminho aos ossos secos e gastos do vale que nos aguardaria, encontramos redenção. Dentre a desiludida esperança duma vida sem Cristo, pudemos encontrar refúgio. Pois Deus não é como o homem,
Interlúdio: Esse é o homem
Reflexos contínuos e ensaio de compara- ção; a sadacidade sagaz do pódio, alegria alimentada pela desgraça alheia. Raça egoísta e geração irascível; se consomem os povos e pares num parasitismo mútuo - sobrevive quem come mais rápido - ao passo que o outro aguarda a morte. Cônscios de seus destinos, tropeçam e arrastam-se catando resquícios de caridade, afeto e amor. Assim é o homem.
para que minta ou torne a palavra, e sim como uma brisa leve, verdadeira. Sem necessitar de palavras, ela umedece a terra seca. No seu orvalho, apaga os registros de dor, cicatriza as feridas abertas. Aqui a promessa é eterna. "Não nos deixou o amanhã - onde encontramos o oásis que, para minha surpresa, penetrava o laranja-do-céu preenchendo-o de calmaria azul."
— Nada disso merecia, escolhi meus passos, rejeitei teu amor. Mas viestes me buscar.
Se permitíssemos por um breve momento a mente a contemplar o derramamento do céu naquele dia entenderíamos a completude do Ser que se entregou. Talvez por pouco compreender os mistérios do coração de Jesus: um coração terno ao ponto de, na hora mais sombria de seu ministério, lembrar-se de orar por homens no ato de atentar contra Sua vida." Pai, perdoa esses homens, pois, não sabe o que fazem".
—Ao olhar teu braço estendido subi a bordo, a tempestade passou e a calmaria veio na luz que dá nome a manhã
Após as torturas da Cruz e pregado no madeiro, o redentor é carregado por seus algozes; jogado com força à fossa; enterrando a Cruz no solo; seus últimos momentos se aproximam. O pior, entretanto, não se encontra na tortura. física; passou pelo vale de ossos secos (aquele que lhe cabia, além dos males do deserto), e, privado da presença de Seu Pai, era a criatura (em sua humanidade) mais distante da Luz. Carregando-nos em seus ombros pelas milhas corridas das areias passadas criou o mundo uma segunda vez. E do autor desta vida me refaço em semelhança de amor.
—Os mapas não dirão, mas a rota está traçada. Partimos com o Senhor dos Exercitos ao dia que será para sempre.
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