Inocente
Inocente
Confortável entre os braços de seu dono, o jovem animal era trazido às portas da tenda da congregação. Possivelmente era uma das primeiras vezes que havia sido levado para tão longe de casa. Curiosidade e receio rondavam os seus pensamentos.
Logo, veio-lhe ao encontro um homem com as vestes brancas; parecia-lhe ser uma boa pessoa. Havia em seu rosto um sorriso sincero por ver mais um fiel irmão dedicando-se inteiramente ao Senhor. Foi levado o cordeiro para o grande templo, ao lado norte. Com carinho, foi posto no chão, sentia a amabilidade com que o tratavam, afinal, fazia parte da família. A mão de seu dono acariciava sua cabeça… um balbuciar de palavras eram proferidas em sutil voz pelos homens que o cercavam. Ao final das palavras ouviu de seu mestre:
– Assim seja. Amém.
Suas pálpebras aos poucos se fechavam; estavam cansadas, e sentia um frio estranho no pescoço. A dócil criatura pendia cada vez mais ao solo, não entendia ao certo porque se sentia tão fraco…
Em pouco tempo não sentia mais nada.
Os homens arrependidos que buscavam redenção continham suas lagrimas ansiosas. Nascidas pela impressão tatuada sobre as pálpebras de um salário justo subjugado pela imerecida graça. Graça revelada nos prantos e lamentos das criaturas inocentes entregues à morte. E por meio da fé tinham a certeza renovada de que “pelo precioso sangue, o sangue de Cristo” seriam limpas as vestes e apagados os pecados. Ao olhar para o “cordeiro que tira o pecado do mundo” são escoadas as tinturas, e arrancadas as texturas que modelam e colorem nosso quadro de pecado. A tela torna-se renovo alvo, e alvo pronto à paleta e pincel do pintor: um artista esperançoso em assinar a obra de detalhes tingidos pela cruz. Somente em Cristo somos arrancados do império das trevas, carregados nos braços e entregues nas mãos de quem sabe cuidar.
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