Os primeiros tempos

Os primeiros tempos


Foram-se os tempos 
de sinceros abraços
de primeiros beijos
    de cordiais horizontes
    pelos quais sonhamos

Foram-se os tempos 
  ansiosos do coração
pelo partir do bolo
      de uma festa qualquer 
        nalguma noite sem data

Foram-se os tempos 
 de virginais esperas
pelo que se espera 
 um coração criança

Coração inocente…
             da saudade 
             da ausência
               da promessa 

Coração descrente…
             da maldade
                 da impotência
            da avareza

Um comentário?

Já tive a experiência -na verdade, mais de uma vez-, de passar uma noite inteira nalguma festa sem ao menos saber o nome do aniversariante. Falando em voz alta me parece até um pouco grosseiro. E pouco também me importava se teria que escutar "over the horizon" quatorze vezes no dia seguinte para acordar. Era genuino. Noites de noviços amores. Sem a carga amarga de experiências desagradáveis. Noites de sinceros abraços aonde o "boa noite" desejado provinha de um coração que batia por prazer. Tudo tão sincero. Não sei se me explico, caro leitor. Mas quero dizer que tenho falta (não sinto falta, mas tenho falta). Não saudade. Não aqui, por essas linhas. Mas tenho falta.
E são nesses momentos de desvio de olhar que buscamos o retrovisor da vida. Pela imensidão de memórias (e deviam ter me dito; memórias são memórias pois não podem ser revividas) buscamos aquelas cores. Aquelas cores vivas que pintavam sonhos e significavam as paisagens.
Busquei o desembaraço, acabei por fazer mais nós.

Primeiro tempo de "Em fim o tempo"


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