Pendular

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Maldito segundo", praguejam os cansados. E seus lábios, que antes sorriam, lembrando-se das ondas, das viagens, dos encontros, agora estão encerrados no silêncio gutural. Segundo a segundo. Suportando pequenos prelúdios -eternidades rançosas- do sono que descerá as cãs às terras, aos vermes, à cova. São séculos resumidos no click do ponteiro. E de que tudo valeu? Fora tudo vaidade, vaidade e vaidade. A pior parte? Sabíamos disso. Sabíamos que seria assim. Tinham-nos dito, repetido e repetido. Agora resta ao coração pétreo esperar; sofrimento paralítico, eterno; metabolismo de minério. De segundo em segundo. Pois congelaram a vista no segundo cruel. E como disseram "Suporta-se a hora", mas o segundo transborda os olhos, ferve o peito, embaça a visão, cutuca as feridas. E tudo sem motivo. Senão pelo segundo. Que passa. Implacável. Levando cada pingo de vida.

Mas a água que nos mantém tem fonte. Fonte que sacia o cansado, alivia os fardos, cura a visão, acalma o coração, e seca as lágrimas. É fonte de vida.

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